Tiggo 5x e Tiggo 7 são os seminovos mais rentáveis para as lojas
SUVs da CAOA Chery repetem a dobradinha do mês anterior; Fiat Mobi completa o pódio do levantamento da MegaDealer
César Tizo - setembro 17, 2026
O CAOA Chery Tiggo 5x e o Tiggo 7 ocuparam as duas primeiras posições do ranking de modelos mais rentáveis do mercado de seminovos em agosto. O levantamento faz parte do Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado a partir de dados transacionais da plataforma Auto Avaliar.
Na liderança, o Tiggo 5x apresentou preço médio de R$ 107 mil, margem bruta de 9,7% e permanência média de 31 dias no estoque. O Tiggo 7 ficou em segundo lugar, com tíquete de R$ 125 mil, margem de 9,4% e giro em 30 dias.
Os dois SUVs da CAOA Chery já haviam ocupado as primeiras colocações no mês anterior. Em agosto, apenas inverteram a ordem, consolidando uma dobradinha inédita para a marca no acompanhamento recente do estudo.
Tiggo 5X liderou o ranking de rentabilidade dos seminovos em agosto
Dobradinha da CAOA Chery
O ranking reúne indicadores importantes para a operação de uma concessionária ou loja de usados, como valor médio de venda, margem bruta e velocidade de giro. Um modelo rentável não é necessariamente aquele que entrega a maior margem percentual isoladamente, mas o que consegue combinar retorno e menor tempo de capital imobilizado no estoque.
Nesse equilíbrio, os dois Tiggo se destacaram. O Tiggo 7 foi vendido, em média, um dia mais rapidamente, enquanto o Tiggo 5x compensou a diferença com margem ligeiramente superior e menor valor investido por unidade.
Tiggo 7 ficou em segundo no ranking de rentabilidade
Fiat Mobi fecha o pódio
O Fiat Mobi ocupou a terceira posição, com preço médio de R$ 60 mil, margem bruta de 12,4% e giro de estoque em 40 dias. O compacto teve a maior margem percentual entre os três primeiros, mas permaneceu mais tempo à espera de um comprador.
Os dez dias adicionais em relação ao Tiggo 7 ajudam a explicar por que o Mobi ficou atrás dos SUVs no retorno sobre o investimento. Para o lojista, a demora na venda aumenta custos financeiros e operacionais, além de reduzir a capacidade de renovar o estoque.
A margem bruta apontada pelo estudo não deve ser confundida com lucro líquido. Despesas com preparação, manutenção, documentação, comissão, estrutura da loja e financiamento do estoque ainda precisam ser descontadas do resultado final.
Giro médio dos usados melhora
No conjunto do mercado analisado pelo PVU, o tíquete médio recuou de R$ 89.282 para R$ 88.545, uma diferença de R$ 737. A margem bruta ficou em 9,9%, ainda em um patamar pressionado na comparação com os meses anteriores.
O dado positivo veio do giro de estoque, que passou de 38 para 37 dias entre a compra do veículo pela loja e sua revenda. Embora a redução seja pequena, ela indica uma circulação um pouco mais rápida dos automóveis e libera capital para novas aquisições.
O ambiente geral também permanece aquecido. Dados da Fenauto mostram que 12.532.488 veículos usados foram negociados no Brasil entre janeiro e agosto de 2026, alta de 6,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Dentro desse total, os seminovos com até três anos de uso avançaram 13,5%.
Chineses ganham espaço também na revenda
A repetição de Tiggo 5x e Tiggo 7 no topo do ranking sugere que a aceitação das marcas chinesas começa a aparecer também na operação dos seminovos. Esse movimento é relevante porque a rentabilidade do usado depende não apenas do preço de compra, mas também da confiança do mercado e da facilidade para encontrar o próximo proprietário.
A MegaDealer observa ainda que marcas recém-chegadas, como Leapmotor e Geely, já apresentam retorno elevado em algumas operações, embora suas captações de usados ainda estejam abaixo da média. A tendência deverá ser acompanhada à medida que uma quantidade maior desses veículos entrar no segundo ciclo de propriedade.
Outro fator apontado pelo estudo é a presença crescente de engenharia e componentes chineses em veículos de fabricantes tradicionais. Com plataformas, baterias, sistemas eletrônicos e fornecedores compartilhados, a origem tecnológica do automóvel tende a ficar menos evidente para o consumidor, mesmo quando o emblema pertence a uma marca europeia, americana, japonesa ou coreana.
O que o ranking diz para quem compra
A liderança dos Tiggo é um sinal favorável de liquidez para os modelos, mas não representa garantia de valorização ou de revenda pelo mesmo percentual em qualquer situação. O PVU mede a rentabilidade das operações realizadas pelas lojas, não o ganho financeiro do proprietário particular.
Ano, versão, quilometragem, histórico de manutenção, conservação, região e condição de negociação continuam determinantes para o valor de cada automóvel. Ainda assim, um giro mais curto no varejo pode indicar que existe procura suficiente para reduzir a permanência do carro anunciado.
Para a CAOA Chery, a dobradinha reforça uma mudança importante: modelos que inicialmente enfrentavam dúvidas sobre aceitação e valor residual começam a aparecer entre os negócios mais eficientes para o comércio de seminovos.
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