O que afasta os brasileiros dos carros elétricos? Pesquisa traz respostas
Levantamento da EY mostra que, entre as razões, estão a infraestrutura de recarga, substituição da bateria e autonomia
César Tizo - julho 17, 2026
Questões envolvendo a bateria continuam sendo os principais fatores de preocupação entre os brasileiros que não pretendem comprar um veículo elétrico. É o que revela a mais recente edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI, na sigla em inglês), elaborado pela consultoria EY, que aponta a infraestrutura de recarga e as dúvidas sobre durabilidade e custo das baterias como os maiores entraves para a expansão da eletrificação no país.
Segundo o estudo, 36% dos entrevistados afirmam que a falta de infraestrutura de recarga em casa ou no trabalho é um dos principais motivos para não optar por um elétrico. Outros 33% apontam a escassez de estações públicas de carregamento, enquanto 28% demonstram preocupação com a eventual substituição da bateria. Já 17% citam a autonomia dos veículos e os custos de recarga como fatores de insegurança.
Para Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY Brasil, o receio em relação às baterias permanece como um desafio para as fabricantes. “Mais uma vez, a exemplo dos anos anteriores, o MCI traz que o consumidor está receoso com a bateria dos veículos elétricos. O desafio das fabricantes é comprovar para o mercado que esse desafio está realmente sendo superado com avanço tecnológico e aumento da capilaridade das estações de carregamento“, afirma.
Manutenção da bateria de tração e disponibilidade de recarga são questões que preocupam consumidores de veículos elétricos
Etanol muda o cenário brasileiro
Na avaliação de Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e CSO (Chief Sustainability Officer) da EY para a América Latina, o mercado brasileiro possui uma característica que o diferencia de outros países na transição para a eletrificação.
Segundo o executivo, o veículo elétrico não disputa espaço apenas com os modelos movidos exclusivamente a gasolina, mas também com uma solução já consolidada no país: o etanol.
“O elétrico por aqui não compete somente com a gasolina. Ele compete com uma transição que já existe: o etanol. Ao contrário de EUA, Europa e China, o Brasil não parte de uma matriz de transporte leve totalmente fóssil. O país já tem uma solução de transição em escala: frota flex, etanol, infraestrutura de distribuição, produção local e matriz elétrica relativamente limpa“, explica.
Assumpção acrescenta que o etanol não substitui a necessidade da eletrificação, mas pode servir como um caminho intermediário. Nesse contexto, ele considera que os híbridos flex representam uma alternativa relevante por combinarem eletrificação parcial com um biocombustível amplamente disponível no mercado brasileiro.
Interesse por elétricos perde força
O levantamento também aponta uma mudança nas preferências dos consumidores brasileiros. A participação dos veículos movidos exclusivamente por motores a combustão subiu de 35% para 49% na comparação com a edição anterior da pesquisa.
Já o interesse por veículos totalmente elétricos permaneceu estável em 9%.
Quando considerados todos os modelos eletrificados — incluindo os híbridos —, a preferência dos consumidores caiu 17 pontos percentuais em relação ao levantamento de 2024, chegando a 40% em 2025.
Por outro lado, os veículos híbridos apresentaram um leve avanço, passando de 17% para 18% da preferência dos entrevistados, reforçando a percepção de que esse tipo de motorização pode representar uma etapa intermediária na transição para uma mobilidade de menor emissão.
Motivos para comprar um elétrico
Entre os consumidores interessados em adquirir um veículo elétrico, os principais fatores que impulsionam essa decisão são:
aumento do custo dos combustíveis (38%);
preocupações ambientais (38%);
maior autonomia (30%);
menor custo total de propriedade (29%);
melhor desempenho em relação aos veículos a combustão (28%);
facilidade de manutenção (25%);
ampliação da oferta de modelos (16%).
Os dados indicam que, embora os benefícios econômicos e ambientais continuem sendo importantes atrativos para os elétricos, as preocupações com a infraestrutura de recarga e, principalmente, com a bateria ainda representam os principais obstáculos para a expansão desse mercado no Brasil.
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