SUV tem mecânica confiável, bom espaço interno e tração integral, mas idade do projeto e manutenção pesam na escolha
César Tizo - agosto 28, 2026

Toyota RAV4 4×4 2014 ainda é negócio? – pergunta enviada por Aldair
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Aldair, obrigado por enviar sua pergunta e participar do Guru dos Carros!
Em linhas gerais, o Toyota RAV4 2014 com tração integral ainda pode ser uma compra interessante para quem procura um SUV confortável, espaçoso e com um conjunto mecânico de boa reputação.
Entretanto, estamos falando de um automóvel que já ultrapassou uma década de uso. Portanto, mais importante do que simplesmente escolher um RAV4 é encontrar um exemplar realmente bem conservado e com histórico de manutenção que possa ser comprovado.
Há ainda um detalhe importante: em 2014, a Toyota oferecia duas configurações com tração integral do RAV4 no Brasil, uma com motor 2.0 e câmbio CVT e outra 2.5 com transmissão automática.
No caso, o RAV4 2.0 com tração integral utiliza motor aspirado a gasolina de 145 cv e 19,1 kgfm, associado ao câmbio CVT com 7 marchas simuladas. Já o 2.5 com as quatro rodas motrizes entrega 179 cv e 23,8 kgfm, trabalhando em conjunto com a já citada caixa automática de 6 marchas.
Nos dois casos, a tração integral atua sob demanda. Em condições normais, o RAV4 privilegia o eixo dianteiro e pode transferir força também para as rodas traseiras quando necessário. Portanto, não se trata de um 4×4 selecionável com proposta semelhante à de um Toyota SW4, por exemplo, mas de um sistema pensado principalmente para aumentar a aderência em pisos escorregadios e permitir alguma tranquilidade adicional em estradas de terra.
Entre os dois, consideramos o RAV4 2.5 a escolha mais interessante se você encontrar exemplares equivalentes em conservação e quilometragem. Além do ganho em desempenho, o consumo é próximo ao da opção com motor de menor deslocamento. Segundo os dados divulgados pela Toyota à época, o RAV4 2.0 registrava 9,5 km/l no ciclo urbano e 10,9 km/l na estrada, enquanto o 2.5 alcançava 8,7 km/l e os mesmos 10,9 km/l, respectivamente.
Outro argumento favorável ao 2.5 aparece nos preços atuais.
Em agosto de 2026, a referência Fipe do RAV4 2.0 4×4 2014 é de R$ 83.720. Para o RAV4 2.5 4×4 do mesmo ano, o valor sobe para R$ 90.774. Ou seja, a diferença teórica fica em pouco mais de R$ 7 mil.
É claro que, em um carro com 12 anos, a Fipe serve apenas como ponto de partida. Atualmente há exemplares anunciados do SUV por valores bastante variados, reflexo principalmente da quilometragem e do estado de conservação.
Vale muito mais a pena você comprar um 2.0 bem cuidado do que estacionar na garagem um 2.5 de procedência duvidosa apenas pela diferença de motorização. Nesse estágio da vida do automóvel, a conservação deve vir antes da versão.
A boa fama mecânica do RAV4 é um dos principais motivos pelos quais o SUV continua valorizado no mercado de usados.
O conjunto aspirado também tem uma vantagem importante diante de muitos SUVs mais novos nessa mesma faixa de preço: não há turbo, injeção direta sofisticada ou um sistema eletrificado adicionando complexidade ao veículo.
Isso não significa, entretanto, que seja um carro barato de manter.
O RAV4 vendido no Brasil era importado do Japão, e componentes específicos de carroceria, acabamento, eletrônica ou do sistema de tração integral podem representar despesas consideráveis em eventuais reparos.
Além disso, não existe milagre: buchas, coxins, amortecedores, rolamentos, mangueiras, retentores e outros componentes sofrem não apenas com a quilometragem, mas também com o tempo.
Por isso, um RAV4 2014 com baixa quilometragem não deve ser automaticamente considerado melhor do que outro mais rodado que recebeu manutenção criteriosa.
No caso do 2.0, vale investigar como o câmbio CVT foi tratado ao longo da vida do carro.
Durante o teste, observe se há ruídos anormais, trancos, hesitações ou oscilações estranhas de rotação. Também é importante verificar o estado do fluido e, sobretudo, se existe documentação das intervenções realizadas no conjunto.
O mesmo raciocínio vale para o RAV4 2.5, que tende a ser mais robusto no quesito transmissão. As mudanças devem ocorrer suavemente tanto com o conjunto frio quanto depois de aquecido.
Também recomendamos uma avaliação cuidadosa do sistema de tração integral. Procure sinais de vazamentos, ruídos provenientes da transmissão ou do diferencial traseiro e certifique-se de que os quatro pneus apresentam medidas e nível de desgaste compatíveis.
Aqui vale a sugestão quando o assunto é um usado mais sofisticado: leve o carro para uma oficina especializada antes de fechar negócio. Uma inspeção pré-compra de algumas centenas de reais pode evitar uma conta de vários milhares depois.
Apesar de o RAV4 daquela época contar com airbags frontais, laterais e de cortina, há uma deficiência difícil de ignorar atualmente: as configurações brasileiras dessa geração não traziam controle eletrônico de estabilidade. Até mesmo avaliações realizadas na época criticavam a Toyota pela ausência do recurso.
É algo que deve entrar na conta.
Hoje encontramos controle de estabilidade até mesmo em modelos compactos muito mais baratos. Para quem prioriza segurança ativa acima de outros aspectos, um SUV mais recente pode ser uma escolha melhor, mesmo que entregue menos espaço ou sofisticação.
Por outro lado, o RAV4 já oferece uma cabine ampla, bancos de couro nas versões com tração integral, ar-condicionado digital, câmera de ré e um porta-malas de 476 litros. A linha 2014 também adicionou GPS integrado à central multimídia nas configurações mais caras.
Naturalmente, a multimídia original é bastante defasada em relação aos aparelhos atuais, mas isso pode ser resolvido com uma central moderna compatível com Android Auto e Apple CarPlay.
Recomendamos, sim, o RAV4 2014, desde que o exemplar passe por uma boa inspeção pré-compra.
Por aproximadamente R$ 85 mil a R$ 95 mil, ele ainda entrega atributos difíceis de encontrar reunidos em um SUV mais novo: bastante espaço, conforto, mecânica aspirada relativamente simples, tração integral e a reconhecida durabilidade dos produtos Toyota.
Entre um SUV 2020 ou 2021 de histórico duvidoso e um RAV4 2014 impecavelmente mantido, não teríamos receio de escolher o Toyota.
Nossa ordem de prioridades para você avaliar determinada unidade do SUV seria esta: procedência, manutenção comprovada, estado mecânico e estrutural e, somente depois, quilometragem e versão.
Se aparecerem dois carros igualmente bons, um 2.0 e um 2.5, e a diferença de preço estiver próxima dos valores de mercado, sugerimos o 2.5. O desempenho superior e o câmbio automático convencional tornam o conjunto bastante atraente, sobretudo para quem costuma viajar com o carro carregado.
Já o 2.0 continua sendo uma escolha coerente para quem prioriza economia e encontra um exemplar muito bem cuidado.
Em resumo, o RAV4 2014 com tração integral ainda é negócio. Só não deve ser comprado simplesmente porque “Toyota não quebra”. Aos 12 anos de idade, o melhor RAV4 não é necessariamente o menos rodado ou o mais barato, mas aquele que teve o dono mais zeloso.
Espero ter ajudado!




