Trump aceita carros chineses produzidos nos Estados Unidos, e BYD inicia a distribuição do Sealion 08
César Tizo - setembro 12, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A possibilidade de empresas chinesas produzirem automóveis nos Estados Unidos recebeu um sinal favorável do presidente Donald Trump. A abertura está condicionada à geração de empregos no país e ainda não altera as regulamentações e tarifas que, na prática, mantêm essas empresas fora do mercado norte-americano.
Na China, a BYD começou a distribuir o Sealion 08, SUV elétrico ou híbrido plug-in de até seis lugares. A configuração totalmente elétrica oferece autonomia declarada de 900 km pelo ciclo CLTC, enquanto a fabricante promete completar a bateria em nove minutos sob condições ideais.
A pressão competitiva também aparece na Volkswagen, que reduziu em 17,4% o preço promocional do ID. UNYX 08 apenas cinco meses depois do lançamento. Completam a edição a chegada planejada do caminhão Tesla Semi à Europa e uma nova troca de comando na VinFast.
Donald Trump afirmou em uma entrevista exibida em 11 de setembro que não se oporia à instalação de marcas chinesas de automóveis nos Estados Unidos.
O presidente comparou a possibilidade às operações mantidas por empresas japonesas no país e enfatizou a contratação de trabalhadores norte-americanos. Ao mesmo tempo, declarou que não deseja receber veículos produzidos por companhias chinesas no México e exportados para o mercado dos Estados Unidos.
A manifestação representa uma sinalização política, não uma autorização imediata. Uma regulamentação criada no começo de 2025 restringe programas e equipamentos relacionados à China e, segundo a Reuters, impede na prática que marcas chinesas produzam ou vendam automóveis de passeio no país.
Os elétricos importados diretamente da China também continuam sujeitos a tarifas superiores a 100%. Além disso, a aliança que representa General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Hyundai, Honda, Stellantis e outras fabricantes solicitou ao Congresso a aprovação de uma proibição permanente até o fim de dezembro.
A declaração de Trump diverge da pressão exercida pela indústria e por parlamentares, mas mantém uma distinção importante: o problema não seria necessariamente a origem do capital, desde que produção e empregos fossem transferidos aos Estados Unidos.
Essa lógica reforça o papel da fabricação local na expansão internacional das marcas chinesas. O Brasil já recebe investimentos industriais de grupos como BYD e GWM, mas as exigências de nacionalização, conteúdo regional e segurança de dados poderão ganhar importância à medida que outros países condicionarem o acesso ao mercado à produção doméstica.

A Tesla confirmou que pretende comercializar o caminhão elétrico Semi na Europa. As especificações regionais e os detalhes do lançamento serão apresentados durante a feira IAA Transportation, em Hanover, na semana iniciada em 14 de setembro.
O site alemão da fabricante informa autonomia de até 550 km com peso bruto combinado de 40 toneladas. O consumo energético declarado fica em aproximadamente 1 kWh/km.
O cavalo mecânico pesa cerca de 9.100 kg sem carga ou semirreboque e pode fornecer até 25 kW para equipamentos elétricos auxiliares.
A Tesla afirma que seu Megacharger, com potência de até 800 kW, permite recuperar o equivalente a aproximadamente 60% da autonomia em 30 minutos. A implantação comercial dependerá da disponibilidade desses carregadores nas rotas utilizadas pelas transportadoras.
O Semi foi apresentado em 2017 e deveria entrar em produção em 2019. As primeiras entregas limitadas ocorreram no fim de 2022, mas a companhia ainda apresenta informações divergentes sobre o início efetivo da fabricação em grande volume.
Não há anúncio para o Brasil, onde a Tesla também não mantém uma operação comercial oficial. A estreia europeia permitirá acompanhar custos, capacidade de carga e desempenho em rotas reais, aspectos mais relevantes para transportadoras do que a autonomia isolada.

A BYD iniciou em 11 de setembro a distribuição nacional do Sealion 08 na China. Imagens publicadas pelo canal oficial da linha Ocean mostraram os veículos deixando a fábrica de Jinan.
O SUV havia recebido mais de 12 mil pedidos firmes nas primeiras 24 horas após seu lançamento. A gama possui oito configurações, com cinco ou seis lugares e preços entre 229.900 e 279.900 yuans.
A carroceria mede 5.115 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.800 mm de altura, com 3.030 mm de distância entre-eixos.
As versões híbridas plug-in utilizam um motor 1.5 turbo de 115 kW, equivalentes a aproximadamente 156 cv. A alternativa com tração dianteira possui um motor elétrico de 200 kW, cerca de 272 cv, enquanto a configuração integral emprega dois motores elétricos de 200 kW cada, totalizando uma potência instalada equivalente a 544 cv.
A bateria Blade de segunda geração possui 55,843 kWh e proporciona entre 350 km e 400 km de autonomia elétrica pelo ciclo CLTC. O alcance combinado declarado chega a 1.650 km no mesmo padrão chinês.
Nas configurações totalmente elétricas, o motor traseiro pode entregar até 370 kW, aproximadamente 503 cv. A opção integral acrescenta um motor dianteiro de 215 kW, elevando a potência instalada dos dois propulsores para cerca de 795 cv.
A bateria de maior capacidade possui 115,072 kWh. A autonomia varia entre 800 km e 900 km pelo CLTC. A reportagem sobre o início das entregas também cita resultados equivalentes a 648 km e 729 km pelo ciclo WLTP.
Segundo a BYD, a tecnologia Flash Charging permite acrescentar o equivalente a 70% da carga em cinco minutos e completar o processo em nove minutos. Os resultados dependem de carregadores específicos, gerenciamento térmico e condições favoráveis da bateria.
O conjunto inclui suspensão pneumática, esterçamento das rodas traseiras e sistema de assistência God’s Eye 5.0. As funções automatizadas continuam exigindo supervisão conforme as condições definidas pela fabricante.
O Sealion 08 não foi confirmado para o Brasil. Suas dimensões e seu posicionamento o colocariam acima dos principais SUVs da BYD vendidos atualmente no mercado nacional, podendo funcionar como alternativa de seis lugares em uma eventual ampliação da gama.

A Volkswagen Anhui lançou uma atualização do ID. Unyx 08 apenas cinco meses depois de sua estreia na China. O preço promocional inicial caiu de 229.900 para 189.900 yuans, redução de 40 mil yuans, ou 17,4%.
O valor de tabela da nova configuração de entrada é de 219.900 yuans. A diferença até os 189.900 yuans corresponde a uma oferta comercial temporária, portanto não representa necessariamente um corte permanente no preço oficial.
A mudança ocorre após um começo de vendas limitado. Dados disponíveis da China Passenger Car Association indicam 133 unidades comercializadas em julho e 379 em agosto.
O SUV mede 5.000 mm de comprimento e possui 3.030 mm de distância entre-eixos. As versões com tração traseira entregam 230 kW, aproximadamente 313 cv, enquanto a alternativa integral alcança 370 kW, cerca de 503 cv, e acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos.
A bateria de entrada possui aproximadamente 82 kWh e proporciona 630 km pelo ciclo CLTC. As demais configurações utilizam cerca de 95 kWh e oferecem 700 km ou 730 km, dependendo do conjunto mecânico.
Toda a gama possui arquitetura de 800 V e baterias de fosfato de ferro-lítio fornecidas pela CATL. A recarga de 10% a 80% leva aproximadamente 20 minutos em um equipamento compatível.
O ID. UNYX 08 é o primeiro modelo de produção desenvolvido conjuntamente pela Volkswagen e pela Xpeng. O projeto foi concluído em 24 meses e incorpora dois processadores Xpeng Turing, com capacidade conjunta declarada de 1.500 TOPS, além do sistema de assistência VLA 2.0.
O modelo não está previsto para o Brasil. A rapidez do corte de preço, entretanto, demonstra a dificuldade enfrentada por fabricantes tradicionais para transformar tecnologia desenvolvida com parceiros chineses em volume de vendas no mercado local.

A VinFast nomeou Pham Nhat Quan Anh como seu novo presidente-executivo global. Aos 33 anos, ele é o filho mais velho do fundador Pham Nhat Vuong e já ocupava a presidência do conselho desde maio.
Quan Anh assumirá também a presidência e a direção executiva da operação vietnamita. Seu pai deixa o cargo de presidente-executivo, mas permanece no conselho de administração.
Ele será o quinto executivo a comandar a fabricante. A lista de antecessores inclui James DeLuca, ex-General Motors, e Michael Lohscheller, ex-presidente da Opel.
A mudança ocorre durante a transformação da VinFast em uma empresa menos dependente de ativos industriais próprios. O plano apresentado em maio prevê a transferência de aproximadamente US$ 530 milhões em ativos de fabricação e de cerca de US$ 6,9 bilhões em dívidas para um grupo comprador.
A fabricante procura reduzir a necessidade de novos investimentos enquanto amplia sua presença no Sudeste Asiático e na Índia. A receita do primeiro trimestre cresceu quase 42%, mas a companhia registrou um prejuízo líquido maior.
A VinFast não opera oficialmente no Brasil. A nova administração indica que a expansão continuará concentrada inicialmente em mercados asiáticos, ao mesmo tempo que a empresa procura reorganizar sua estrutura financeira e industrial.
Os movimentos desta edição mostram que a internacionalização da indústria depende cada vez menos da simples exportação de veículos. Produção local, tarifas, infraestrutura de recarga, preços competitivos e capacidade financeira passaram a determinar quais fabricantes conseguirão sustentar uma presença global.




