SUV elétrico vendido no Brasil passará por ampla reformulação na China, enquanto Hyundai adia sistema próprio de assistência para 2029
César Tizo - setembro 13, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Geely prepara uma reformulação profunda do EX5, tal como antecipamos, um dos modelos mais importantes de sua operação internacional e já comercializado no Brasil. A nova configuração chinesa terá tração traseira, 333 cv e sistema de assistência apoiado por LiDAR.
A evolução mostra como as fabricantes chinesas aceleram seus ciclos de atualização. Na Coreia do Sul, a Hyundai enfrenta o desafio oposto: o sistema próprio de assistência avançada da companhia chegará somente no fim de 2029, dois anos depois do cronograma original.
A edição acompanha ainda a nova data prometida pela Tesla para apresentar o Roadster e a investigação de um incêndio ocorrido sob um Lynk & Co 900 estacionado na China.
A Geely apresentará em setembro a configuração amplamente reformulada do EX5, conhecido como Galaxy E5 no mercado chinês. A data de 21 de setembro aparece em reportagens locais, mas ainda não foi confirmada oficialmente pela fabricante.
Documentos regulatórios mostram que o motor elétrico passará para o eixo traseiro e entregará 245 kW, equivalentes a 333 cv. O EX5 atual vendido no Brasil, com tração dianteira, possui 218 cv.
A velocidade máxima homologada aumentou de 175 km/h para 201 km/h. A bateria continuará utilizando células de fosfato de ferro-lítio, mas sua capacidade e a autonomia da nova configuração ainda não foram divulgadas.
O SUV mede 4.636 mm de comprimento, 1.920 mm de largura e 1.670 mm de altura, com 2.750 mm de distância entre-eixos. A carroceria ficou 21 mm mais longa, enquanto o peso em ordem de marcha varia de 1.750 kg a 1.830 kg.
A dianteira recebeu novo para-choque e entrada de ar ativa. As maçanetas parcialmente embutidas substituem os componentes totalmente ocultos utilizados atualmente, antecipando as novas restrições chinesas a esse tipo de mecanismo.
O sensor LiDAR instalado no teto indica a adoção do sistema G-Pilot H5, capaz de oferecer navegação assistida em vias urbanas e rodoviárias. Câmeras adicionais aparecem nos para-lamas dianteiros e no aerofólio traseiro. As funções continuam classificadas como assistência e exigem supervisão do motorista.
Imagens divulgadas por uma fonte não identificada também mostram um porta-malas dianteiro com capacidade para suportar até 50 kg. Seu volume ainda não foi informado, portanto não é possível compará-lo diretamente com o compartimento de 70 litros do Geely EX2.
Shan Aifu, responsável pelas relações públicas da Geely Galaxy, confirmou que o modelo preservará grande parte do desenho externo, mas passará por uma revisão abrangente da estrutura, dos componentes internos e dos sistemas eletrônicos.
O Geely EX5 comercializado atualmente no Brasil possui bateria de 60,2 kWh e autonomia de 413 km na versão Pro ou 349 km na Max, conforme o Inmetro. A Geely não confirmou a chegada da atualização ao mercado nacional.

O Hyundai Motor Group pretende lançar seus primeiros veículos equipados com um sistema próprio de assistência avançada somente no fim de 2029. O cronograma anterior previa a estreia no final de 2027.
Enquanto conclui o desenvolvimento da plataforma Atria, a empresa utilizará tecnologias criadas em parceria com a Nvidia. Os primeiros sistemas classificados comercialmente como Níveis 2+ e 2++ deverão chegar em 2028.
Essas denominações não representam condução autônoma plena. Mesmo quando o automóvel consegue executar mudanças de faixa, percorrer trechos urbanos ou seguir rotas definidas, o motorista permanece responsável pela condução e precisa estar preparado para assumir os comandos.
Os veículos utilizarão inicialmente a plataforma Nvidia Hyperion 10, com câmeras, radares e sensores ultrassônicos. A Hyundai decidiu não instalar LiDAR nessa primeira etapa para controlar os custos.
A fabricante considera empregar esse sensor em futuros sistemas de nível 3, nos quais o motorista poderia desviar a atenção da condução em situações específicas e previamente autorizadas. Não existe cronograma para a comercialização dessa tecnologia.
A Hyundai afirma que trabalhará no desenvolvimento conjunto com a Nvidia e utilizará os dados obtidos pela frota para aperfeiçoar seu próprio programa. Hyundai e Kia vendem conjuntamente mais de 7 milhões de veículos por ano e pretendem superar os concorrentes em volume acumulado de dados de condução até 2033.
O atraso demonstra a dificuldade de desenvolver programas capazes de interpretar o trânsito, tomar decisões e funcionar com segurança em países com sinalização, infraestrutura e comportamento viário diferentes. Nenhuma aplicação específica nos modelos brasileiros foi anunciada.

Elon Musk afirmou que a Tesla apresentará o novo Roadster em 1º de outubro. A conta oficial da fabricante na rede X publicou uma imagem com a data, posteriormente confirmada pelo executivo.
O esportivo apareceu originalmente em novembro de 2017, quando a companhia prometeu iniciar as entregas em 2020. O programa foi adiado repetidamente e ainda não possui uma nova data de produção.
A apresentação deverá mostrar um projeto diferente daquele revelado há quase nove anos. Entretanto, a Tesla não divulgou especificações atualizadas, preço definitivo ou informações sobre a homologação.
O site The Information havia noticiado que a empresa preparava uma versão limitada equipada com propulsores a gás frio desenvolvidos com a SpaceX. Segundo a reportagem, uma demonstração poderia ocorrer nas instalações da empresa espacial em McGregor, no Texas.
A presença desses equipamentos não foi confirmada oficialmente. Também permanece sem confirmação a informação de que o projeto teria evoluído para um hipercarro de fibra de carbono após o abandono de uma alternativa baseada em componentes do Model S Plaid.
Por isso, os números de desempenho anunciados em 2017 não devem ser tratados como especificações da configuração que será apresentada em outubro.
A Tesla não possui operação comercial oficial no Brasil. Ainda assim, o Roadster poderá funcionar como uma demonstração das tecnologias que a fabricante pretende aplicar aos seus próximos automóveis de produção.

Um incêndio registrado sob um Lynk & Co 900 estacionado em Hangzhou, na China, permanece sob investigação. O caso ocorreu em 9 de setembro e foi registrado por pessoas que estavam no local.
As imagens mostram fumaça e chamas concentradas sob o SUV híbrido plug-in. Bombeiros controlaram o fogo, mas os vídeos não permitem determinar se a bateria de tração foi atingida.
A concessionária responsável pelo automóvel afirmou que um pedestre teria derrubado uma bateria portátil, posteriormente empurrada para baixo do veículo. Essa versão baseia-se no relato do proprietário e ainda não constitui uma conclusão oficial.
Não foram divulgados dados do sistema eletrônico do automóvel, imagens completas do local ou resultados de uma análise técnica. A investigação municipal precisará determinar se o fogo começou no objeto externo, na bateria de tração, em componentes instalados sob a carroceria ou em outra fonte.
O Lynk & Co 900 utiliza pacotes de 44,9 kWh ou 52,4 kWh, fornecidos por CALB e CATL. A presença de uma bateria automotiva com grande capacidade não permite concluir que ela tenha provocado ou alimentado o incêndio.
O caso reforça a necessidade de aguardar laudos técnicos antes de atribuir ocorrências envolvendo veículos eletrificados às baterias de alta tensão. A Lynk & Co, integrante do Grupo Geely, não comercializa oficialmente seus automóveis no Brasil.
Os destaques desta edição evidenciam diferentes velocidades de desenvolvimento. Enquanto a Geely reformula rapidamente um produto já globalizado, Hyundai e Tesla enfrentam prazos mais longos para transformar programas tecnológicos em soluções prontas para produção e uso cotidiano.




