Hyundai corta metas e investimentos após queda de 11,3% nas vendas globais
Fabricante reduz projeção para 4 milhões de veículos em 2026; híbridos ajudam o lucro operacional, mas resultado líquido cai
César Tizo - outubro 30, 2026
A Hyundai reduziu suas metas de vendas e rentabilidade para 2026 e cortou em 1,8 trilhão de wons (cerca de R$ 7,26 bilhões) o investimento previsto na operação automotiva. A revisão acompanha um terceiro trimestre de queda no volume comercializado e no lucro líquido, apesar da melhora do resultado operacional.
No balanço divulgado na última quinta-feira (29), a fabricante sul-coreana passou a projetar 4 milhões de veículos vendidos no atacado neste ano, ante os 4,16 milhões previstos anteriormente. O orçamento de investimentos caiu de 17,8 trilhões de wons (R$ 71,79 bilhões) para 16 trilhões de wons (R$ 64,53 bilhões), após uma reavaliação das prioridades e do calendário de execução dos projetos.
A margem operacional esperada para o ano também foi revista, de uma faixa de 6,3% a 7,3% para 5,5% a 6,5%. A companhia manteve, porém, a previsão de crescimento de 1% a 2% na receita consolidada.
Novo Tucson integra a renovação do portfólio citada pela Hyundai para a recuperação das vendas
Greves e menor produção pressionam vendas
Entre julho e setembro, a Hyundai comercializou 920.710 veículos no atacado mundial, queda de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025. A empresa atribuiu parte do recuo às paralisações na produção e ao menor número de dias úteis por causa de feriados.
O impacto foi mais intenso na Coreia do Sul, onde o volume caiu 27,2%, para 131.468 unidades. Nos demais mercados, a retração foi de 8%, com 789.242 veículos.
Além das interrupções nas fábricas, a fabricante apontou a demanda global mais fraca e o encarecimento das matérias-primas como fatores por trás da revisão das projeções. Produzir menos também aumenta o peso dos custos fixos sobre cada veículo, pressionando a rentabilidade.
Lucro operacional sobe, mas resultado líquido recua
A receita do trimestre caiu 3,4%, para 45,11 trilhões de wons (R$ 181,94 bilhões). Mesmo com menos vendas, o lucro operacional avançou 5,5%, para 2,677 trilhões de wons (R$ 10,80 bilhões), e a margem passou de 5,4% para 5,9%.
Segundo a Hyundai, o câmbio favorável, os esforços de redução de custos e a maior presença de modelos de valor mais alto, especialmente híbridos, ajudaram a compensar a perda de volume.
Na última linha do balanço, porém, o lucro líquido diminuiu 24,2%, para 1,932 trilhão de wons (R$ 7,79 bilhões). A apresentação financeira mostra redução do resultado não operacional e aumento da despesa com impostos, explicando por que a melhora da operação não se repetiu no lucro final.
Híbridos ajudam a sustentar a rentabilidade
As vendas de híbridos convencionais cresceram 3,8% no trimestre, para 167.414 unidades. Sua participação no volume global chegou a 18,2%, avanço de 2,7 pontos percentuais sobre um ano antes.
Os elétricos, por outro lado, recuaram 9,2%, para 69.117 unidades. Somando híbridos, híbridos plug-in, elétricos a bateria e veículos a célula de combustível, a Hyundai vendeu 245.540 eletrificados, queda de 2,7%. Ainda assim, essas tecnologias ganharam participação e responderam por 26,7% do total.
Para reagir, a companhia aposta na recuperação da produção, na expansão das vendas de novos modelos, como Tucson e Elantra, e na continuidade do controle de custos. A estratégia mantém diferentes motorizações e uma oferta adaptada à demanda de cada região.
A leitura do Guru dos Carros é que os híbridos ajudaram a proteger o resultado operacional, mas não eliminaram a pressão sobre a escala do negócio. A revisão das metas mostra que a Hyundai entrou no último trimestre com uma expectativa mais moderada para o fechamento de 2026.
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