Para rodar mais na cidade, vale aguardar o novo Toyota SW4?
Leitor, que já foi dono de um SW4 2020, tem dúvidas se vale a pena aguardar pelo utilitário renovado considerando seu perfil de uso
César Tizo - março 14, 2026
Caro César, vendi minha SW4 2020 por causa das dificuldades que vinha enfrentando com o diesel no Brasil, especialmente após o aumento da mistura de biodiesel — primeiro para B15 e agora com a perspectiva de chegar ao B16. A manutenção estava ficando complicada, com trocas de filtro em intervalos muito curtos, além do risco de entupimento do DPF e problemas com o Arla 32. Minha dúvida é: nos novos modelos que usam motor diesel — inclusive os híbridos — esses problemas continuam existindo? E, considerando trocas de filtros a cada 3 mil ou 5 mil km, vale a pena aguardar a nova geração do SW4 para uso urbano e viagens ocasionais? – pergunta enviada por Sergio
Sergio, obrigado por enviar sua pergunta e participar do Guru dos Carros!
Sua dúvida é muito interessante e reflete uma preocupação crescente entre proprietários de veículos a diesel no Brasil.
O avanço das misturas de biodiesel (atualmente em B15), aliado às características do uso urbano e às tecnologias atuais de controle de emissões, realmente mudou o cenário para quem utiliza esse tipo de motorização.
Vamos separar os pontos técnicos mais importantes. Para isso, recorremos a algumas fontes de referência, como o professor Fernando Landulfo, do canal Auto Acadêmico.
Biodiesel: qualidade é decisiva
O biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais ou gorduras, por meio de um processo químico chamado transesterificação. Ele traz vantagens ambientais e também melhora a lubricidade do diesel, protegendo componentes sensíveis do sistema de injeção — algo importante nos motores modernos de alta pressão.
Tecnicamente, pequenas proporções já seriam suficientes para isso. Estudos indicam que apenas cerca de 2% de biodiesel já melhora significativamente a lubricidade do diesel S10, que possui baixo teor de enxofre.
O problema surge quando entramos em dois fatores críticos: a estabilidade química do biodiesel e a qualidade da produção e armazenamento.
O biodiesel é mais sensível à oxidação e à contaminação do que o diesel mineral. Quando degradado, pode formar gomas e vernizes capazes de obstruir filtros e sistemas de alimentação, segundo o professor Landulfo detalha no vídeo mais abaixo.
Outro ponto importante é que o biodiesel é higroscópico, ou seja, tende a absorver água do ambiente. Se o combustível ficar armazenado por muito tempo ou em condições inadequadas, isso pode gerar corrosão em componentes metálicos e favorecer o crescimento de microrganismos.
Filtros entupindo e manutenção frequente
Relatos semelhantes ao que você descreveu, Sergio, também aparecem em estudos do setor de transporte.
À época em que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a oferta do E30 e do B15 no Brasil, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) afirmou que, após os aumentos da mistura de biodiesel, algumas empresas associadas passaram a observar redução do intervalo de troca de filtros de combustível, aumento de custos de manutenção com impacto superior a 0,5% no custo total das operações e a ocorrência de obstruções e falhas mecânicas.
Isso não significa que o biodiesel seja necessariamente o vilão absoluto, como pontuado pelo professor Landulfo. Em muitos casos, os problemas também estão ligados a fatores como combustível contaminado ou adulterado, baixa rotatividade do diesel nos tanques, além de manutenção preventiva negligenciada do veículo.
Inclusive, especialistas alertam que postos com pouca rotatividade de combustível aumentam o risco de degradação do diesel.
Fiscalização
Outro ponto importante é o controle de qualidade.
Entidades do setor defendem que a expansão das misturas de biocombustíveis precisa vir acompanhada de fiscalização rigorosa, pois o biodiesel possui maior valor agregado e pode ser alvo de fraudes.
Quando a mistura não é feita corretamente ou o combustível chega contaminado às distribuidoras, surgem problemas como obstrução de filtros, falhas mecânicas ou panes inesperadas.
Por isso, o controle regulatório é considerado essencial para que os benefícios ambientais da mistura se concretizem sem prejudicar consumidores e transportadores.
Veículos novos
No caso dos veículos novos, como o futuro facelift para o Toyota SW4, ainda que passem a contar com alguma forma de eletrificação, isso não elimina as características básicas de um motor a diesel. Ou seja, o filtro DPF continua existindo e o uso de Arla 32 permanece em muitos casos.
A eletrificação ajuda a reduzir consumo e emissões, mas não muda a natureza do combustível utilizado.
Portanto, se houver problemas de qualidade do diesel ou contaminação, os efeitos podem aparecer da mesma forma.
Projeção de Kleber Silva para o facelift do Toyota SW4
Uso urbano
Outro ponto importante é o tipo de uso. Motores a diesel modernos foram desenvolvidos com foco no uso rodoviário, além da operação por longos períodos em temperatura ideal.
No uso urbano, alguns fatores trabalham contra. Trajetos curtos resultam na regeneração incompleta do DPF e fazem com que combustível envelhecido permaneça por mais tempo no tanque.
Isso explica por que muitos proprietários relatam maior incidência de problemas quando utilizam veículos a diesel principalmente na cidade.
Vale a pena aguardar o novo SW4?
A resposta para o tema central de sua dúvida, Sergio, dependerá muito do seu perfil de uso. Se você roda longas distâncias com frequência, utiliza o veículo mais em estradas ou precisa de alto torque para carga ou reboque, o diesel continua fazendo bastante sentido, portanto a espera pelo novo SW4 pode ser justificável.
Por outro lado, se você utiliza o veículo majoritariamente na cidade, com viagens ocasionais, outras soluções hoje podem ser mais racionais, como modelos híbridos ou híbridos plug-in a gasolina. Essas tecnologias ajudam a preservar a característica de maior autonomia tradicionalmente associada aos veículos a diesel.
Indo além, caso você não queira abrir mão da robustez de um veículo com a concepção de carroceria sobre chassi, além da presença de tração 4×4 com reduzida, o GWM Tank 300 surge como uma opção ao SW4, preservando várias das características do modelo da Toyota.
Projeção de Kleber Silva para o facelift do Toyota SW4
Recomendações
Se você decidir continuar com um veículo a diesel, algumas medidas ajudam a reduzir riscos:
abastecer sempre em postos de alta rotatividade
evitar deixar o veículo muito tempo parado com o tanque cheio
seguir rigorosamente o plano de manutenção
renovar o combustível do tanque com certa frequência
Em alguns casos, especialistas como o professor Fernando Landulfo também recomendam o uso de aditivos antioxidantes e bactericidas, principalmente se o carro fica longos períodos parado.
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