Carros elétricos garantem até 70% mais lucro a motoristas de app
Levantamento indica que carros elétricos lideram em rentabilidade, enquanto GNV surge como alternativa intermediária
César Tizo - abril 15, 2026
Um levantamento recente da GigU revela que a escolha do combustível pode ser determinante para a rentabilidade de motoristas de aplicativos no Brasil, superando fatores tradicionalmente considerados mais relevantes, como categoria de serviço, cidade ou volume de corridas.
Com base em dados de mais de 56 mil motoristas distribuídos em 22 estados, o estudo aponta que veículos elétricos apresentam margem líquida mediana de 57%, enquanto modelos abastecidos com gasolina ficam em 36,8%. Na prática, isso se traduz em um lucro médio de R$ 21,86 por hora para quem utiliza carro elétrico, contra R$ 12,85 nos veículos convencionais, uma diferença próxima de 70%.
A vantagem dos elétricos se mostra consistente em diferentes regiões do país, independentemente do perfil de operação. Em estados como Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, a diferença de margem supera 15 pontos percentuais. Em cenários mais específicos, o impacto é ainda mais expressivo. No Amazonas, motoristas da categoria Comfort com veículos elétricos alcançam R$ 27,64 por hora, frente a R$ 8,92 entre aqueles que utilizam gasolina. Já na Bahia, na categoria Black, o rendimento chega a R$ 26,15 por hora no elétrico, contra R$ 11,10 nos modelos convencionais.
Comparações dentro de uma mesma cidade reforçam o peso da variável. Em Fortaleza, por exemplo, motoristas da categoria Uber X com carro elétrico financiado registram lucro de R$ 16,05 por hora, praticamente o dobro dos R$ 8,91 observados entre aqueles que utilizam gasolina, sem mudanças em jornada, demanda ou categoria.
Segundo Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU, o faturamento bruto perde relevância diante das despesas operacionais. Custos com combustível, manutenção e variações de preço passam a definir a rentabilidade real da atividade. Nesse cenário, os veículos elétricos se destacam por reduzir o custo por quilômetro e oferecer maior previsibilidade financeira ao longo do mês.
Para motoristas que não têm acesso imediato à eletrificação, o gás natural veicular (GNV) aparece como alternativa relevante. A margem mediana nacional do combustível é de 52,7%, ainda abaixo dos elétricos, mas significativamente superior à gasolina. Em mercados como o Rio de Janeiro, a diferença também se reflete no ganho por hora, com R$ 21,37 no GNV contra R$ 16,05 na gasolina na categoria Black. Em Pernambuco, o uso do GNV em veículos alugados na categoria Uber X chega a praticamente dobrar o rendimento.
Casos específicos reforçam essa tendência. Em Sergipe, motoristas de Uber X com carro próprio abastecido com GNV registram ganhos de R$ 26,40 por hora, frente a R$ 9,13 na gasolina, evidenciando a sensibilidade da renda ao tipo de combustível adotado.
O etanol, por sua vez, apresenta desempenho variável, dependendo da relação de preços em cada região. No Ceará, onde o biocombustível é mais competitivo, supera a gasolina em lucro por hora. Já na Bahia, o cenário se inverte, reflexo do menor rendimento energético do etanol, que pode neutralizar a vantagem de preço nas bombas.
O estudo aponta, assim, para uma mudança silenciosa na lógica econômica dos aplicativos de mobilidade. Em um ambiente de custos elevados e margens pressionadas, decisões operacionais ganham papel estratégico. A escolha do combustível, antes vista como detalhe, passa a influenciar diretamente o rendimento, com diferenças que podem chegar a R$ 9 por hora sem qualquer alteração na rotina de trabalho.
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