China deverá ter apenas cinco grandes montadoras no futuro, diz CEO da Xpeng
Executivo afirma que fabricantes da China poderão alcançar nível hoje restrito a grupos como Toyota e Volkswagen
César Tizo - maio 6, 2026
O presidente-executivo da Xpeng, He Xiaopeng, afirmou que a indústria automotiva chinesa deverá consolidar, no futuro, cinco grandes fabricantes capazes de alcançar faturamento anual na casa dos trilhões de yuans e lucros de centenas de bilhões da moeda chinesa.
A declaração foi feita durante participação do executivo no programa “Dialogue”, da emissora estatal chinesa CCTV, ao lado de William Li, fundador e CEO da Nio. Ambos discutiram o futuro do segmento de veículos eletrificados e os desafios enfrentados pela indústria chinesa.
Segundo He Xiaopeng, a consolidação do setor deverá reduzir significativamente o número de fabricantes relevantes no país, concentrando a liderança em grupos de escala global. Pelas estimativas do site CarNewsChina, uma montadora precisaria comercializar mais de 7 milhões de veículos por ano para atingir receitas trilionárias, embora o resultado dependa diretamente do preço médio dos automóveis vendidos.
Xpeng P7
Atualmente, apenas cinco conglomerados automotivos globais alcançam níveis semelhantes de faturamento: Toyota, Grupo Volkswagen, Hyundai Motor Group, Stellantis e GM.
Embora não tenha citado quais seriam as futuras líderes chinesas, os números mais recentes do setor colocam a BYD na dianteira, com receita anual equivalente a 803,9 bilhões de yuans. O ranking também aponta SAIC Motor, Geely, Chery e GWM.
Durante o programa, He Xiaopeng também comentou o atual momento do mercado chinês, marcado pela chamada “involução”, termo utilizado no país para descrever uma competição excessivamente intensa e pouco sustentável. Segundo ele, o setor só entrará em uma fase mais saudável quando eventos como o Salão de Pequim deixarem de reunir cerca de 150 lançamentos simultaneamente, como ocorreu na edição de 2026.
O executivo afirmou ainda que, em um cenário de maior racionalidade competitiva, empresas como Xpeng, Nio e Li Auto poderão alcançar lucros anuais superiores a 50 bilhões de yuans.
Li L7
Outro ponto debatido foi a divergência estratégica entre as marcas em relação aos veículos de autonomia estendida, conhecidos como EREV. He Xiaopeng defendeu a tecnologia como uma etapa intermediária importante devido às diferenças globais na infraestrutura energética e de recarga. Já William Li reiterou que a Nio seguirá concentrada exclusivamente em modelos elétricos puros, os chamados BEVs.
Os números de vendas da Xpeng em 2026 mostram, contudo, um momento desafiador. Entre janeiro e abril, a fabricante entregou 94.693 veículos eletrificados no mercado global, resultado 27,4% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Parte da retração é atribuída ao fim gradual dos incentivos governamentais chineses para veículos de nova energia.
Para tentar recuperar ritmo comercial, a Xpeng aposta na chegada do novo Xpeng GX, SUV de grande porte que deverá ampliar a presença da marca em segmentos mais rentáveis e ajudar a companhia a perseguir a meta de até 600 mil veículos vendidos em 2026.
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