Carros pelo Mundo | China busca mercados, EUA apertam México e Coreia acelera
Brasil já está entre os principais destinos da BYD, enquanto CATL amplia o pós-venda de baterias e novas regras comerciais ameaçam elevar custos na América do Norte
César Tizo - agosto 14, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
China exporta 923 mil veículos em um mês
As vendas de automóveis na China caíram 20% em julho, para 1,47 milhão de unidades, de acordo com dados da China Passenger Car Association citados pela Reuters. Foi a décima retração mensal consecutiva na comparação anual.
Na direção oposta, as exportações cresceram 88% e alcançaram 923 mil veículos. No primeiro semestre, o mercado interno perdeu 2,3 milhões de unidades, também uma queda de 20%, enquanto os embarques ao exterior avançaram 71%.
A BYD exemplifica essa mudança. Entre janeiro e julho, suas vendas dentro da China recuaram 35%, mas o volume comercializado no exterior aumentou 79%. Brasil e Reino Unido passaram a ser seus dois maiores mercados nacionais fora do país de origem.
A combinação de capacidade industrial excedente, cadeia de fornecedores competitiva e demanda doméstica fraca tende a estimular políticas comerciais mais agressivas no exterior. No mercado brasileiro, isso pode significar mais lançamentos, maior disputa por preços e avanço da produção local de grupos chineses.
Com demanda interna reduzindo, fabricantes chinesas passam a priorizar exportações
Eletrificados levam Coreia do Sul a recorde de exportações
A Coreia do Sul exportou US$ 6,24 bilhões em automóveis durante julho, crescimento anual de 7% e o maior resultado já registrado para o mês.
Os veículos classificados pelo governo sul-coreano como ambientalmente favoráveis, grupo que reúne elétricos, híbridos, híbridos plug-in e modelos a hidrogênio, responderam por US$ 2,59 bilhões. Esse segmento cresceu 25,5%.
Foram exportados 244.181 veículos, aumento de 15,3%. A produção das fábricas sul-coreanas chegou a 352.070 unidades, 11,3% acima do volume de julho de 2025.
O desempenho sustenta a expansão internacional de Hyundai, Kia e das respectivas linhas eletrificadas. Também pode ampliar a disponibilidade de veículos para mercados secundários, embora parte da estratégia latino-americana esteja migrando para fábricas regionais, como a operação mexicana do Kia EV3.
Regras dos EUA podem mudar o papel industrial do México
General Motors, Ford e Stellantis estão se mobilizando contra possíveis alterações no acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.
Entre as propostas discutidas por Washington está a exigência de que pelo menos 50% do valor de um veículo tenha origem especificamente nos Estados Unidos para que o produto receba tratamento tarifário favorável. O governo norte-americano também avalia elevar o índice mínimo de conteúdo produzido no conjunto da América do Norte, atualmente em 75%.
Estimativas internas obtidas pela Reuters apontam que as mudanças poderiam acrescentar pelo menos US$ 2 bilhões por ano aos custos de cada uma das três fabricantes. As medidas ainda não foram aprovadas e serão discutidas nas próximas rodadas de negociação.
O resultado interessa ao mercado brasileiro porque o México funciona como base de produção para a América Latina. A Kia, por exemplo, iniciou recentemente a fabricação do EV3 no país. Regras que dificultem o envio de veículos mexicanos aos Estados Unidos podem levar as montadoras a buscar outros destinos para ocupar suas fábricas, incluindo mercados sul-americanos.
BYD Qin Max estreia com versões híbrida e elétrica
A BYD lançou na China o Qin Max, sedã oferecido em nove configurações, com preços entre 99.900 e 143.900 yuans. A gama inclui versões híbridas plug-in DM-i e totalmente elétricas.
O Qin Max EV utiliza tração traseira e a segunda geração da bateria Blade. Há motores de 120 kW e 240 kW, equivalentes a 163 cv e 326 cv. As autonomias declaradas são de 530 km e 630 km no ciclo chinês CLTC.
Segundo os dados divulgados, a bateria pode passar de 10% para 70% de carga em aproximadamente cinco minutos, em condições normais de temperatura. O carregamento de 10% a 97% levaria cerca de nove minutos.
A configuração mais potente entrega torque superior a 40,8 kgfm e acelera de 0 a 100 km/h na faixa dos cinco segundos. Algumas versões podem receber o sistema de assistência à condução God’s Eye B, com sensor LiDAR.
No híbrido plug-in, o motor 1.5 a gasolina de 101 cv trabalha com uma unidade elétrica de 238 cv. A BYD declara até 2.370 km de alcance combinado e consumo de 2,59 l/100 km, mas esses números seguem os padrões de homologação utilizados na China.
Não existe previsão de lançamento do Qin Max no Brasil. O modelo merece acompanhamento, porém, porque amplia a oferta da BYD em uma faixa na qual a empresa já comercializa produtos como King e Seal no mercado brasileiro.
BYD Qin Max
CATL quer reparar baterias em 100 cidades
A CATL pretende instalar centros próprios de manutenção de baterias em 100 cidades ao redor do mundo até o fim de 2026. As unidades usarão processos automatizados para diagnóstico e reparo, com meta de concluir os serviços em até 72 horas.
A rede Ning Service já possui 1.376 oficinas credenciadas em 84 países. Os primeiros centros internacionais operados diretamente pela fabricante estão localizados na Noruega e em Istambul, na Turquia.
Uma das propostas é substituir células ou componentes danificados sem a necessidade de trocar todo o conjunto de baterias. A CATL afirma que o procedimento pode reduzir em até dez vezes o custo de determinados reparos.
Não houve anúncio sobre a instalação de um centro próprio no Brasil. A iniciativa, entretanto, toca em um dos pontos mais sensíveis do crescimento dos eletrificados: o custo de reparação depois de colisões ou danos na parte inferior do veículo. Uma estrutura semelhante no país poderia reduzir indenizações integrais, valor dos seguros e tempo de imobilização dos automóveis.
Acura apresenta conceito que antecipa o próximo RDX
A Acura revelou o NEXERA Vision durante a Monterey Car Week, nos Estados Unidos. O cupê conceitual inaugura uma nova linguagem visual que será aplicada aos próximos modelos da divisão de luxo da Honda.
O estudo tem portas com abertura dupla, rodas aro 22″, elementos aerodinâmicos ativos e iluminação integrada à carroceria. A marca não divulgou dados de motorização, bateria ou autonomia, e o NEXERA não está previsto para entrar em produção.
As soluções visuais serão aproveitadas inicialmente na quarta geração do RDX, que adotará motorização híbrida. A Acura não possui operação oficial no Brasil, mas a apresentação mostra a mudança de prioridades da Honda na América do Norte, com maior espaço para híbridos depois da revisão de alguns projetos exclusivamente elétricos.
Resumo
A edição de hoje do Carros pelo Mundo mostra duas forças simultâneas: a China procura novos destinos para absorver sua produção excedente, enquanto fabricantes tradicionais reforçam híbridos, cadeias regionais e barreiras comerciais. O Brasil está diretamente exposto a essa disputa, tanto como mercado consumidor quanto como base industrial para a América Latina.
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