Carros pelo Mundo | Toyota perde vendas globais; BMW anuncia sistema para proteger ciclistas
Veja também: BYD alcança 10 mil estações de recarga ultrarrápida, Li Auto avança sobre a Europa e Chery lança irmão elétrico do Lepas L6
César Tizo - agosto 28, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Chery lançou na China o Fulwin T7, SUV elétrico que servirá como equivalente doméstico do Lepas L6 destinado aos mercados internacionais. Além da relação com uma marca em expansão global, o modelo chama atenção pela combinação de porte, autonomia e preço.
Na Europa, a Li Auto confirmou sua estreia comercial ainda em 2026, enquanto a BMW anunciou novos recursos de segurança ativa capazes de interferir na abertura das portas para evitar colisões com ciclistas.
A infraestrutura também avança em ritmo acelerado. A BYD alcançou 10 mil estações de recarga ultrarrápida na China, embora ainda precise dobrar essa rede até o fim do ano para cumprir sua meta. Completam a edição a queda nas vendas globais da Toyota e o maior recall já realizado pela Lucid.
Chery lança irmão elétrico do Lepas L6 com 600 km de autonomia
A Chery lançou na China o Fulwin T7, SUV compacto elétrico relacionado ao Lepas L6 desenvolvido para exportação. Como a marca Lepas não atua no mercado chinês, a fabricante utiliza denominações locais para produtos que compartilham projetos com sua gama internacional.
O Fulwin T7 mede 4.570 mm de comprimento, 1.852 mm de largura, 1.694 mm de altura e possui 2.700 mm de distância entre-eixos. Seu peso em ordem de marcha é de 1.780 kg.
Todas as versões utilizam um motor elétrico de 178 kW, equivalentes a 242 cv, e 28 kgfm de torque. A velocidade máxima declarada é de 180 km/h.
A bateria Rhino de fosfato de ferro-lítio possui 65,05 kWh e proporciona 600 km de autonomia pelo ciclo chinês CLTC. A Chery informa um consumo energético de 12,9 kWh/100 km.
A recarga de 30% a 80% leva aproximadamente 20 minutos. O veículo também pode fornecer até 6,6 kW para alimentar equipamentos externos.
Na cabine, há painel digital de 8,8″ e central multimídia de 15,6″ com resolução 2.5K. As versões mais acessíveis empregam o processador Qualcomm 8155, enquanto a configuração superior utiliza o Qualcomm 8775, conectividade 5G e um sistema que integra funções da cabine e de assistência à condução.
O Fulwin T7 custa oficialmente entre 97.900 e 118.900 yuans. Com os incentivos promocionais de lançamento, os valores caem para uma faixa de 94.900 a 115.900 yuans.
O Lepas L6 já é oferecido em alguns mercados com motor 1.6 turbo e também terá configurações eletrificadas. O modelo destinado à exportação possui pequenas diferenças de acabamento e dimensões em relação ao Fulwin T7, portanto não deve ser tratado simplesmente como uma troca de emblemas.
A Lepas pertence ao Grupo Chery e vem ampliando sua presença internacional. A marca, inclusive, está prevista para o mercado brasileiro.
Chery Fulwin T7
BMW poderá atrasar abertura da porta para proteger ciclistas
A BMW anunciou um conjunto de novos recursos de segurança ativa que será oferecido de série em diferentes modelos desenvolvidos a partir da Neue Klasse.
Uma das principais novidades é a evolução do alerta de saída. Radares laterais monitoram a aproximação de veículos, bicicletas e outros usuários da via enquanto o automóvel está estacionado.
Quando identifica o risco de colisão, o sistema atrasa eletronicamente a abertura da porta até que o perigo tenha passado. A solução procura evitar acidentes nos quais ciclistas atingem uma porta aberta repentinamente.
A tecnologia estreou no novo BMW iX3 e também será aplicada ao i3, X5 e Série 7. O conjunto inclui ainda assistência para desviar de obstáculos, frenagem de emergência diante de animais e intervenção de direção em situações com risco de colisão lateral.
Outro recurso monitora o motorista por meio de uma câmera. Caso detecte uma possível emergência médica, o veículo poderá assumir temporariamente o controle, parar em local seguro, acionar o pisca-alerta e realizar uma chamada de emergência.
Durante manobras, o sistema também conseguirá identificar o acionamento equivocado do acelerador no lugar do freio. Se houver um obstáculo a menos de um metro e o pedal for pressionado de maneira repentina, o automóvel poderá frear automaticamente.
As funções são processadas por um novo computador central refrigerado a líquido, cuja capacidade é aproximadamente 20 vezes superior à da geração anterior.
A BMW informou ainda ter entregue seu veículo totalmente elétrico de número 2 milhões desde a estreia do primeiro i3, em 2013. Incluindo os híbridos plug-in, a marca acumula aproximadamente 3,5 milhões de automóveis eletrificados.
BMW iX3
BYD alcança 10 mil estações de recarga ultrarrápida
A BYD concluiu em Shenzhen sua estação de recarga ultrarrápida de número 10 mil na China. A rede dobrou de tamanho em menos de cinco meses, uma vez que contava com 5 mil instalações em 1º de abril.
A nova geração de carregadores oferece até 1.500 kW por conector. Quando associada à segunda geração da bateria Blade, a tecnologia pode elevar a carga de 10% a 97% em nove minutos, segundo a fabricante.
As estações também estarão abertas a automóveis de outras marcas, mas a potência efetivamente recebida dependerá da arquitetura elétrica e da capacidade de recarga de cada modelo.
A BYD ainda está distante de sua meta anual. Para alcançar 20 mil estações até dezembro, precisará acrescentar aproximadamente 80 unidades por dia durante os próximos quatro meses.
A empresa trabalha com operadores chineses de recarga e assinou um acordo com a Sinopec, companhia que possui mais de 30 mil postos integrados de energia.
A rede ultrarrápida também começará a ser implantada em outros países até o fim de 2026. O Reino Unido deverá receber 300 estações neste ano.
Segundo a BYD, o primeiro ponto de Flash Charging do Brasil será inaugurado, em breve, na concessionária Denza de Brasília (DF). A expectativa é que todas as lojas da submarca premium tenham a tecnologia. A BYD prevê uma expansão acelerada da infraestrutura por aqui, com a instalação de 1.000 carregadores do tipo no Brasil até o fim de 2027.
A rápida expansão chinesa, contudo, demonstra que os ganhos de autonomia e velocidade de recarga dependerão não apenas dos carros, mas de investimentos coordenados em baterias, rede elétrica e carregadores.
Li Auto levará SUV elétrico i6 à Europa
A Li Auto confirmou que começará a vender seus automóveis na Europa no quarto trimestre de 2026. O primeiro produto será o i6, SUV elétrico que será apresentado ao público europeu durante o Salão de Paris, em outubro.
O i6 utiliza uma bateria de fosfato de ferro-lítio de 87,3 kWh e arquitetura elétrica de 800 V. A potência de recarga chega a 500 kW, permitindo recuperar alcance equivalente a 500 km em dez minutos, segundo a fabricante.
Na China, existem versões com um ou dois motores. A configuração de tração traseira entrega 250 kW, equivalentes a 340 cv, enquanto a opção com tração integral alcança 400 kW, cerca de 544 cv.
A autonomia varia entre 660 km e 720 km pelo ciclo chinês CLTC, dependendo da configuração.
A fabricante ainda não revelou preços, países atendidos ou estrutura de distribuição na Europa. O lançamento será acompanhado por uma estratégia regional: os modelos totalmente elétricos terão prioridade no continente europeu, enquanto os SUVs elétricos de alcance estendido da linha L serão direcionados inicialmente ao Oriente Médio e à Ásia Central.
O L9 estreará em Dubai em setembro. A Li Auto também prepara versões com volante do lado direito do i6 e da minivan elétrica Mega para Hong Kong e Singapura.
A expansão aumenta o grupo de fabricantes chinesas que utilizarão a Europa como primeira etapa para construir operações internacionais. A Li Auto não confirmou planos para a América Latina ou o Brasil.
Li Auto i6
Vendas globais da Toyota caem 4,8%
A Toyota registrou 856.125 vendas globais em julho, queda de 4,8% em comparação com o mesmo mês de 2025. Os números incluem a marca Lexus.
A produção mundial recuou 2,1%. O resultado foi pressionado principalmente pela China, pelos Estados Unidos e pelo Oriente Médio, enquanto o mercado japonês apresentou recuperação.
As vendas chinesas caíram 24,3%, marcando o sexto mês consecutivo de retração. Segundo a Toyota, a elevação dos preços da gasolina prejudicou a procura por automóveis convencionais e híbridos.
A produção na China recuou 32,7%. O desempenho mostra a dificuldade das fabricantes estrangeiras para disputar consumidores com marcas locais que oferecem elétricos e híbridos plug-in a preços mais baixos.
Nos Estados Unidos, maior mercado individual da Toyota, as vendas diminuíram 0,8% e a produção caiu 4%. Já o Oriente Médio registrou retração comercial de 44,5%.
O Japão seguiu na direção contrária, com crescimento de 11% nas vendas e de 12,4% na produção. As exportações japonesas avançaram 10,2%, alcançando pouco mais de 196 mil veículos.
A desaceleração chinesa ajuda a explicar por que a Toyota está adotando baterias, processadores e sistemas de assistência desenvolvidos por empresas locais em produtos como o bZ5. A estratégia busca recuperar competitividade sem abandonar a força global dos híbridos convencionais.
Lucid convoca 27.185 sedãs por risco de incêndio
A Lucid iniciou nos Estados Unidos um recall de 27.185 unidades do sedã elétrico Air. Um circuito responsável pela iluminação externa pode superaquecer, aumentando o risco de incêndio.
A falha também poderá provocar a perda das luzes externas e elevar a possibilidade de acidente. A autoridade de segurança norte-americana recomendou que os proprietários estacionem os carros ao ar livre e afastados de construções até a aplicação da correção.
O reparo será realizado por meio de uma atualização remota de software. A Lucid já identificou 20.719 veículos que receberam o novo programa.
Trata-se da maior campanha de recall da história da fabricante e abrange mais automóveis do que as 15.841 unidades entregues pela empresa durante todo o ano de 2025.
A Lucid não mantém operação oficial no mercado brasileiro. A campanha, porém, ilustra como falhas relacionadas ao gerenciamento eletrônico podem exigir medidas preventivas mesmo quando a solução definitiva não envolve a substituição física de componentes.
Os destaques desta edição mostram como a expansão dos veículos elétricos começa a deslocar a competição para outras áreas. Preço e autonomia continuam relevantes, mas infraestrutura de recarga, sistemas de segurança, capacidade computacional e redes internacionais de assistência passam a exercer peso crescente na decisão de compra.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.