Carros pelo Mundo | IM Motors atualiza sedã L6; Ora 5 ganha versões GT e Sport na China
Veja também: Freelander 8 terá 829 cv, Toyota prepara Lexus elétrico chinês e lucro da BYD recua apesar das exportações
César Tizo - agosto 29, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
Duas marcas relacionadas ao mercado brasileiro concentram os principais lançamentos desta edição. A IM Motors renovou o sedã elétrico L6 na China, enquanto a GWM ampliou a família Ora 5 com configurações Sport e GT.
Os dois movimentos seguem estratégias diferentes. A IM Motors mantém uma proposta exclusivamente elétrica e tecnológica, enquanto a Ora, originalmente criada como divisão de elétricos, passa a oferecer também opções híbridas e apenas a gasolina no mercado chinês.
A Chery e a Jaguar Land Rover, por sua vez, confirmaram a apresentação do Freelander 8 para 3 de setembro. Completam o noticiário os planos relatados para um Lexus elétrico produzido em Xangai e o balanço da BYD, que mostra forte crescimento das exportações, mas queda de receita e lucro.
Novo IM L6 estreia com até 680 cv e esterçamento traseiro
A IM Motors lançou na China a nova geração do L6, sedã elétrico desenvolvido para concorrer com Tesla Model 3, Xiaomi SU7 e Xpeng P7.
A gama regular possui três versões, com preços promocionais entre 199.900 e 259.900 yuans. A configuração de entrada ficou 20 mil yuans mais barata do que o valor anunciado durante a pré-venda.
O IM L6 mede 4.924 mm de comprimento e possui 2.950 mm de distância entre-eixos. Há configurações com tração traseira ou integral.
Nova geração do IM L6
A versão Max utiliza um motor de 245 kW, equivalentes a 333 cv, e bateria de 76 kWh. Sua autonomia declarada é de 725 km pelo ciclo chinês CLTC.
A Pro Max eleva a potência para 300 kW, cerca de 408 cv, e recebe bateria de 93 kWh. Nesse caso, o alcance chega a 850 km pelo CLTC.
No topo da linha, o L6 Ultra combina dois motores elétricos com 500 kW, equivalentes a 680 cv, e 81,6 kgfm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 2,74 segundos. A bateria de 103 kWh permite percorrer até 840 km pelo CLTC.
Toda a gama emprega arquitetura elétrica de 800 V e aceita até 396 kW em corrente contínua. Segundo a fabricante, uma sessão de 15 minutos pode acrescentar até 580 km de autonomia, considerando o ciclo chinês.
O chassi utiliza comandos eletrônicos para os freios e para o esterçamento das quatro rodas. As rodas traseiras podem virar até 18 graus em cada direção, reduzindo o raio mínimo de giro para 4,39 m.
O sistema de condução assistida foi desenvolvido em conjunto com a Momenta e não depende de mapas de alta definição para executar a navegação assistida. Na cabine, há uma tela de 26,3 polegadas, monitor de 15,5 polegadas para o passageiro, sistema de áudio B&O e refrigerador com 5,7 litros.
A IM Motors pertence à SAIC e foi apresentada ao público brasileiro pela MG Motor durante o Festival Interlagos. O primeiro modelo da marca confirmado para o mercado brasileiro é o IM6, um SUV com 4.904 mm de comprimento e 2.950 mm de entre-eixos. A presença do L6 na futura gama local permanece incerta.
Nova geração do IM L6
Ora 5 ganha versões Sport e GT na China
A GWM lançou as novas configurações Ora 5 Sport e Ora 5 GT no mercado chinês. Diferentemente da estratégia original da marca, as duas linhas possuem versões elétricas, híbridas e apenas a gasolina.
O Ora 5 Sport mede 4.482 mm de comprimento, 1.833 mm de largura, 1.559 mm de altura e possui 2.720 mm de distância entre-eixos.
No Ora 5 GT, as configurações a gasolina e híbrida medem 4.500 mm de comprimento. A elétrica é mais curta, com 4.430 mm.
As versões elétricas utilizam um motor de 150 kW, equivalentes a 204 cv, e 26,5 kgfm de torque. A bateria de 58,3 kWh é fornecida pela Svolt.
O Ora 5 Sport elétrico alcança 580 km pelo ciclo chinês CLTC, enquanto o GT oferece 550 km. Os dois aceleram de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos e permitem elevar a carga de 30% a 80% em 20 minutos.
As opções híbridas empregam a quinta geração do sistema Hi2 da GWM. A potência combinada é de 166 kW, equivalentes a 226 cv, acompanhada por 48,5 kgfm de torque. O consumo declarado é de 4,5 litros/100 km pelo ciclo WLTC.
Já as versões convencionais utilizam motor 1.5 turbo de 184 cv e câmbio automatizado de dupla embreagem com sete marchas. O consumo informado sobe para 6,4 litros/100 km pelo WLTC.
O GT recebe kit aerodinâmico, rodas de 19 polegadas e um grande aerofólio traseiro. A versão elétrica gera 37 kg de pressão aerodinâmica a 180 km/h e inclui um modo esportivo acompanhado por som artificial de motor V8.
As configurações superiores também podem receber LiDAR e o sistema Coffee Pilot 3, com navegação assistida em rodovias e cidades sem depender de mapas em alta definição.
No Brasil, o Ora 5 elétrico possui 204 cv, bateria de 58,3 kWh e autonomia de 349 km pelo Inmetro. Não existe confirmação de que as configurações Sport e GT, tampouco as alternativas híbrida e a gasolina, serão oferecidas por aqui.
GWM Ora 5 GT revelado na China
Freelander 8 terá 829 cv e estreia em 3 de setembro
A marca Freelander desenvolvida pela joint venture entre Chery e Jaguar Land Rover confirmou para 3 de setembro a apresentação global de seu primeiro modelo.
O Freelander 8 será um grande SUV elétrico de alcance estendido. Na China, os preços promocionais de pré-venda variam de 329.900 a 409.900 yuans.
O conjunto combina um motor 1.5 turbo utilizado como gerador e dois motores elétricos. A potência instalada é de 610 kW, equivalentes a aproximadamente 829 cv, acompanhada por 82,9 kgfm de torque.
A aceleração de 0 a 100 km/h leva 4,6 segundos. A bateria ternária de 60,3 kWh, fornecida pela CATL, proporciona 310 km de alcance elétrico pelo ciclo chinês CLTC.
A plataforma elétrica de 800 V aceita recarga 6C. A fabricante informa que a bateria pode passar de 20% a 80% em 12 minutos.
O conjunto para uso fora de estrada inclui motor traseiro de duas velocidades, esterçamento das rodas traseiras, suspensão pneumática de duas câmaras e bloqueio mecânico do diferencial dianteiro.
O Freelander 8 possui 3.040 mm de distância entre-eixos e 5.118 mm de comprimento, medida que chega a 5.185 mm com determinados equipamentos. Haverá configurações para cinco ou seis ocupantes.
A lista tecnológica inclui o sistema Huawei Qiankun ADS 5 e o processador automotivo Qualcomm Snapdragon 8397. O modelo recebeu mais de 10 mil reservas nas primeiras 48 horas, embora pedidos com depósitos reembolsáveis não correspondam necessariamente a vendas efetivas.
O primeiro mercado fora da China deverá ser o Oriente Médio, com lançamento entre o fim de 2026 e o começo de 2027. A joint venture pretende apresentar seis modelos Freelander nos próximos cinco anos, mas não anunciou planos para o mercado brasileiro.
Freelander 8
Toyota poderá produzir novo Lexus elétrico primeiro na China
A Toyota planeja iniciar a produção de um novo SUV elétrico da Lexus em Xangai durante o segundo semestre de 2027, segundo reportagem do jornal japonês Nikkei repercutida pela imprensa chinesa.
A informação ainda não foi confirmada em um anúncio específico da fabricante. Caso o cronograma seja mantido, será uma rara situação em que uma nova geração de veículo elétrico da Toyota começará a ser produzida fora do Japão.
O volume inicial deverá ficar próximo de mil unidades por mês, equivalente a 12 mil automóveis por ano. A produção poderá alcançar dezenas de milhares de unidades anuais a partir de 2028.
O modelo utilizará grandes peças estruturais de alumínio produzidas por fundição integrada, processo conhecido como Gigacast. A técnica reduz o número de componentes e etapas de montagem.
Segundo a reportagem, o processo poderá diminuir em até 20% o peso de determinadas estruturas, além de melhorar a rigidez da carroceria e contribuir para a autonomia.
A fábrica própria da Lexus em Xangai começou a ser construída em 2025 e terá capacidade anual planejada de 100 mil veículos. Além da montagem, a operação chinesa participará do desenvolvimento dos automóveis e das baterias.
A iniciativa mostra que a Toyota pretende aproximar suas decisões de engenharia do mercado chinês, onde suas vendas recuaram 24,3% em julho. Ainda não existem informações sobre exportação do futuro SUV ou uma eventual relação com produtos destinados ao Brasil.
Exportações crescem, mas lucro da BYD cai 20,5%
A BYD encerrou o primeiro semestre de 2026 com receita de 344,82 bilhões de yuans, queda de 7,13% em relação ao mesmo período de 2025.
O lucro líquido atribuído aos acionistas recuou 20,54%, para 12,33 bilhões de yuans. A companhia relacionou o resultado ao desempenho mais fraco da divisão automotiva e a perdas cambiais.
A receita obtida com automóveis e produtos relacionados diminuiu 8,98%, para 275,34 bilhões de yuans. Esse negócio respondeu por 79,85% do faturamento do grupo.
A fabricante vendeu 1.808.511 veículos eletrificados no primeiro semestre, retração de 15,72%. O ritmo de queda, entretanto, diminuiu no segundo trimestre: o recuo passou de 30,01% nos primeiros três meses para 3,24% entre abril e junho.
Os mercados internacionais avançaram na direção contrária. A BYD exportou aproximadamente 792 mil veículos no semestre, alta de 67,8%. O volume já representou cerca de 44% das vendas totais da empresa.
Somente no segundo trimestre, as vendas internacionais alcançaram 471.091 unidades, crescimento de 82,46% sobre o ano anterior e de 46,68% na comparação com os três primeiros meses de 2026.
A margem bruta do grupo subiu de 18,01% para 18,85%, favorecida pela maior participação dos negócios internacionais. As marcas superiores Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang também avançaram 61% e passaram a responder por 12,8% das vendas de automóveis de passeio.
Os números ajudam a explicar a intensificação dos lançamentos e investimentos da BYD fora da China. O mercado brasileiro participa diretamente dessa estratégia por meio da ampliação da gama, da operação de Camaçari e da crescente presença da empresa em diferentes segmentos.
Os movimentos desta edição reforçam uma mudança importante: as fabricantes chinesas já não dependem apenas de preços baixos ou das vendas domésticas. Tecnologia, diferenciação entre versões, expansão internacional e marcas de maior valor agregado ganham espaço, enquanto empresas tradicionais transferem para a China uma parcela crescente do desenvolvimento de seus futuros elétricos.
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