Carros pelo Mundo | Volkswagen avalia tecnologia chinesa na Europa; Porsche recupera lucro
Volkswagen avalia tecnologia chinesa na Europa, Porsche recupera lucro e BMW amplia automação industrial
César Tizo - outubro 27, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A tecnologia chinesa poderá ganhar espaço nos automóveis europeus da Volkswagen. Segundo uma reportagem da imprensa alemã, o grupo avalia levar a arquitetura eletrônica desenvolvida com a Xpeng a uma parcela expressiva de seus futuros produtos. A proposta ainda não foi confirmada pela companhia.
Enquanto a Volkswagen discute caminhos para o desenvolvimento tecnológico, a Porsche apresentou recuperação do lucro apesar da queda nas entregas. A BMW, por sua vez, ampliou os deslocamentos automatizados de veículos dentro das fábricas, mostrando outra aplicação dos sistemas de condução sem motorista.
Volkswagen poderá levar arquitetura criada com a Xpeng à Europa
A Volkswagen estuda utilizar em futuros modelos europeus a China Electronic Architecture (CEA), desenvolvida com a Xpeng para seus veículos chineses.
A informação foi publicada pela revista alemã Manager Magazin em 26 de outubro e repercutida pela Reuters e pelo CnEVPost. Segundo a reportagem, a proposta abrangeria aproximadamente 75% dos modelos de nova geração das marcas Volkswagen, Skoda e Cupra.
A Volkswagen não comentou o relato à Reuters. Portanto, a possível adoção europeia deve ser tratada como uma proposta em avaliação, sem decisão anunciada.
A CEA organiza os sistemas elétricos e eletrônicos do automóvel por zonas, conectadas a computadores centrais de maior capacidade. Essa estrutura permite concentrar funções e ampliar as atualizações remotas de programas.
Sua utilização na China já é oficial. Em janeiro, o grupo anunciou o início da produção do primeiro veículo com a arquitetura, desenvolvida por suas equipes locais, pela Cariad China e pela Xpeng. O sistema foi concebido para diferentes plataformas e motorizações.
Uma eventual expansão à Europa teria implicações para o trabalho realizado com a Rivian, parceira da Volkswagen no desenvolvimento de outra arquitetura destinada aos mercados ocidentais. Entretanto, não foi anunciado encerramento ou redução desse acordo.
A discussão envolve custos, adaptação às exigências europeias e divisão dos investimentos entre projetos. Para o consumidor brasileiro, o interesse está na possibilidade de essas escolhas influenciarem futuras gerações de veículos globais da Volkswagen, embora nenhuma aplicação nacional tenha sido comunicada.
ID. UNYX 09 integra os projetos chineses desenvolvidos em parceria com a Xpeng
Porsche recupera lucro, mas entrega menos carros
A Porsche divulgou nesta terça-feira (27) lucro operacional de € 1,74 bilhão nos primeiros nove meses de 2026, diante de € 40 milhões no mesmo período de 2025.
A margem operacional passou de 0,2% para 6,9%. Parte importante da recuperação decorre da comparação com um período marcado por despesas extraordinárias: os custos de realinhamento estratégico caíram de € 2,7 bilhões para aproximadamente € 500 milhões.
O avanço financeiro ocorreu com retração comercial. As entregas diminuíram 16%, para 178.532 veículos, enquanto a receita recuou 5,9%, para € 25,28 bilhões.
A fabricante atribui a resistência da receita à composição das vendas e à maior participação de produtos com margens superiores. Os elétricos representaram 21,7% das entregas, contra 23,1% um ano antes.
A Porsche manteve sua previsão para 2026, incluindo receita entre € 35 bilhões e € 36 bilhões e margem operacional de 5,5% a 7,5%.
O balanço reforça a prioridade dada à rentabilidade, mesmo com menor volume. Essa orientação interessa aos compradores brasileiros por ajudar a explicar a direção do portfólio e o foco em produtos mais exclusivos, sem representar um anúncio de mudanças locais.
Conceito Mission S ilustra a estratégia da Porsche de reforçar sua identidade de esportivos
BMW amplia deslocamentos sem motorista dentro das fábricas
O Grupo BMW informou ter alcançado a marca de um milhão de deslocamentos automatizados de veículos em sua rede industrial.
A fábrica da MINI em Oxford, no Reino Unido, tornou-se a quarta unidade a utilizar a tecnologia, após Dingolfing, Leipzig e Regensburg, na Alemanha. Segundo a companhia, Oxford registrou mais de 53 mil movimentações desse tipo no último ano.
O sistema Automated Driving In-Plant conduz automóveis novos em áreas delimitadas de produção e logística. Sensores externos, infraestrutura de processamento em nuvem e programas de planejamento controlam os deslocamentos.
A solução utiliza LiDAR instalado no ambiente industrial para acompanhar o entorno e orientar os veículos. Assim, seu funcionamento depende da infraestrutura da fábrica e não equivale à oferta de condução autônoma em vias públicas aos compradores desses automóveis.
O projeto começou como piloto em Dingolfing em 2022. A próxima expansão anunciada será para Spartanburg, nos Estados Unidos, em 2027.
A aplicação mostra como a automação também avança nas etapas posteriores à montagem. Não foi anunciada a implantação desse sistema na operação brasileira.
Resumo
Os destaques mostram fabricantes europeias revendo tecnologias, processos e prioridades para preservar competitividade e rentabilidade. A discussão vai da possível expansão de sistemas desenvolvidos na China à automação industrial, passando pela busca de melhores resultados financeiros com menor volume de vendas.
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