Anfavea vê recuperação do mercado, mas teme avanço contínuo dos carros importados
Emplacamentos cresceram quase 15% no quadrimestre, mas Anfavea alerta para alta contínua das importações
César Tizo - maio 8, 2026
O mercado automotivo brasileiro manteve trajetória positiva no acumulado de 2026, mesmo com um desempenho mais moderado em abril devido ao menor número de dias úteis no mês. Os dados divulgados nesta sexta-feira (8) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram crescimento consistente da produção e das vendas internas, mas também reforçam a preocupação da indústria com o avanço contínuo dos veículos importados.
A produção nacional de automóveis e comerciais leves alcançou 225,8 mil unidades em abril, volume 2,4% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, foram fabricadas 872,6 mil unidades, alta de 4,9% na comparação anual.
Apesar do avanço, o desempenho poderia ser ainda melhor não fosse a retração das exportações. Entre janeiro e abril, os embarques ao exterior somaram 142,4 mil unidades, queda de 16,9%. Apenas em abril foram exportados 43,2 mil veículos, número 11,7% inferior ao mesmo mês do ano passado. Segundo a entidade, a desaceleração da demanda argentina contribuiu diretamente para o recuo.
No mercado interno, por outro lado, os indicadores seguem robustos. O volume de emplacamentos chegou a 873,5 mil autoveículos no quadrimestre, crescimento de 14,9% sobre igual período de 2025. Somente em abril foram licenciadas 248,3 mil unidades, avanço expressivo de 19% na comparação anual.
Entretanto, a composição desse crescimento vem chamando atenção da indústria. As vendas de veículos importados cresceram 12% no acumulado do ano, atingindo 168,1 mil unidades.
Participação cada vez maior de importados acendeu sinal de alerta na Anfavea
Segundo Igor Calvet, a expectativa era que a nacionalização da produção por novas fabricantes reduzisse gradualmente a dependência de veículos importados, algo que ainda não aconteceu.
Os veículos eletrificados também seguem ampliando espaço no mercado brasileiro. Em abril, eles responderam por 18,3% de todos os emplacamentos, estabelecendo um novo recorde de participação. Desse total, cerca de 40% correspondem a modelos produzidos no Brasil.
O levantamento destaca ainda o avanço dos veículos 100% elétricos. Em abril foram comercializadas 17,5 mil unidades desse tipo, superando os híbridos plug-in, que registraram 13,2 mil unidades, e os híbridos convencionais, com 12,7 mil unidades.
No segmento de pesados, a Anfavea destacou os efeitos positivos do programa Move Brasil, voltado ao financiamento de caminhões. A entidade afirma que a iniciativa ajudou a reduzir o ritmo de queda das vendas de caminhões, que saiu de 31,5% em janeiro para 17,2% no acumulado do quadrimestre.
De acordo com Igor Calvet, a expectativa agora recai sobre o Move Brasil 2, nova etapa do programa que deverá disponibilizar R$ 21,2 bilhões em crédito para financiamento de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, com foco especial nos transportadores autônomos.
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